Vitaminas

VITAMINAS: O EXCESSO E A FALTA PRODUZEM DOENÇAS
POR CONSOLAÇÃO RESENDE
As vitaminas são substâncias importantes para nosso metabolismo. Elas ajudam a prevenir doenças, mas, a maioria não é produzida pelo nosso corpo. As exceções são a vitamina D, que é sintetizada no organismo em uma escala limitada, e as vitaminas B12 e K, as quais são sintetizadas pela flora bacteriana no intestino. Sem elas, o metabolismo do nosso corpo fica lento e sua falta pode ocasionar várias doenças. Elas podem ser de dois tipos: hidrossolúveis (solúveis em água e absorvidas pelo intestino) e lipossolúveis (solúveis em gorduras e absorvidas pelo intestino com a ajuda dos sais biliares produzidos pelo fígado). Nesta edição de aniversário do jornal, ele completa 13 anos em novembro, trazemos para você, leitor, as vitaminas hidrossolúveis.
VITAMINA C (ÁCIDO ASCÓRBICO)
Também conhecida por Ácido Ascórbico, a Vitamina C só foi identificada em 1936, sendo hoje produzida industrialmente. A dose diária recomendada desta vitamina é 60 mg. Sua principal função é participar na formação de catecolaminas (compostos químicos) e aumentar a absorção de ferro pelo intestino. Principais fontes: frutas e verduras frescas. SUA FALTA: a falta provoca lesões do colágeno. O escorbuto é, hoje em dia, uma doença praticamente desconhecida. Uma manifestação observada nos cabelos que pode sugerir a carência de vitamina C é quando os pelos se tornam crespos nos locais onde antes eram lisos. SEU EXCESSO: pode provocar a formação de cálculos nos rins. Note-se que a dose diária recomendada é de 60 mg/dia. Alguns produtos comerciais contêm até 2000 mg por comprimido, o que significa a ingestão de 35 ou mais vezes a dose diária recomenda. O efeito preventivo ou curador de doenças virais, como gripe, a prevenção de câncer, reduzir risco de doença cardíaca e catarata, o aumento das defesas orgânicas, tudo isso não está comprovado como sendo um efeito terapêutico útil da vitamina C.
VITAMINA B 1 (TIAMINA)
A Vitamina B1, também chamada de Tiamina, tem uma dose diária recomendada de 1,5 mg para a maioria das pessoas. Para mães que amamentam e para idosos é 3,0 mg. Ela atua, principalmente, no metabolismo energético dos açúcares. A sua função como neurotransmissor é discutida, não tendo ainda comprovação científica. Principais fontes: carnes, cereais, nozes, verduras e cerveja. Nota: alguns peixes e crustáceos e chás pretos podem conter fatores anti-tiamina. SUA FALTA: a doença clássica provocada por sua falta é o Beribéri que se manifesta principalmente em alcoólatras desnutridos e nas pessoas mal-alimentadas dos países pobres. A manifestação neurológica da carência de vitamina B1 caracteriza-se por neurites periféricas, distúrbios da sensibilidade com zonas de anestesia ou de hiperestesia, perda de forças até a paralisia de membros. No cérebro, pode haver depressão, perda de energia, falta de memória até síndromes de demência como a psicose de Korsakoff e a encefalopatia de Wernicke. As manifestações cardíacas decorrentes da falta de vitamina B1 se manifestam por falta de ar, aumento do coração, palpitações, taquicardia, alterações do eletrocardiograma, inclusive insuficiência cardíaca do tipo débito elevado. SEU EXCESSO: os eventuais excessos ingeridos são eliminados pelos rins, deixando a urina amarelada.
VITAMINA B 2 (RIBOFLAVINA)
A dose diária recomendada é de 1,7 mg para homens e 1,6 mg/dia para mulheres. Ela desempenha um papel importante no metabolismo energético e como protetor das bainhas dos nervos. Também atua no metabolismo de enzimas. É bom saber que a radiação solar (UV) inativa a riboflavina. Principais fontes: leite, carne e verduras. SUA FALTA: pode aparecer em gestantes, nos esportistas de alta performance ou em doenças digestivas que alterem a sua absorção. As manifestações deste tipo são inflamações da língua, rachaduras nos cantos da boca, lábios avermelhados, dermatite seborréica da face, tronco e extremidades, anemia e neuropatias. Nos olhos, pode surgir a neoformação de vasos nas conjuntivas, além de catarata. SEU EXCESSO: é eliminado pelos rins.
VITAMINA B 6 (PIRIDOXINA, PIRIDOXOL, PIRIDOXAMINA E PIRIDOXAL)
Esta vitamina foi isolada em 1936, quando se descobriu também que sua falta provocava dermatites. A dose diária recomendada é diretamente proporcional à ingestão de proteínas na dieta. Por exemplo, quem ingere 100 g/dia de proteínas necessita receber 1,5 mg/dia de piridoxina. Mulheres grávidas, fumantes e alcoólatras têm necessidade de doses maiores da vitamina B6. Sua principal função é ser uma coenzima e interferir no metabolismo das proteínas, gorduras e triptofano. Atua na produção de hormônios e é estimulante das funções defensivas das células. Participa no crescimento dos jovens. Principais fontes: cereais, carnes, frutas e verduras. O cozimento reduz os teores de B6 dos alimentos. SUA FALTA: as manifestações de carência são raras, podendo ocorrer lesões seborréicas em torno dos olhos, nariz e boca, acompanhadas de glossite e estomatite. Quanto ao sistema nervoso, a carência de vitamina B6 pode provocar convulsões e edema de nervos periféricos, havendo suspeitas de que possa provocar a síndrome do túnel carpiano. Distúrbios do crescimento e anemia são atribuídos à carência de vitamina B6. SEU EXCESSO : doses de 200 mg/dia, tanto por via oral como parenteral, podem provocar intoxicações neurológicas, surgindo sintomas como formigamentos nas mãos e diminuição da audição. Foram relatados casos de dependência da piridoxina.
VITAMINA B 12 (COBALAMINAS, HIDROXICOBALAMINA, CIANOCOBALAMINA)
A dose diária recomendada é de 6 micrograma/dia. Ela é essencial para o crescimento de replicação celular, sendo importante na formação das hemácias (os glóbulos vermelhos do sangue). É também produzida pela flora do intestino grosso, mas lá não é absorvida. A absorção se dá no intestino delgado depois dela ter sido ativada no estômago aonde chega com a ingestão de alimentos. Níveis baixos dessa vitamina estariam associados com um maior risco de câncer e de doenças vasculares Suas principais fontes: carne e fígado.. SUA FALTA: a anemia macrocítica ou perniciosa é a principal manifestação de carência desta vitamina. Existem evidências de que níveis baixos de vitamina B12 estariam associados a uma maior incidência de doenças vasculares e cancerosas. As deficiências de vitamina B12 podem provocar lesões irreversíveis do sistema nervoso causadas pela morte de neurônios. Os sintomas neurológicos são os mais variados e decorrem da morte ou perda de função das células atingidas nos mais diferentes setores do cérebro e medula. As alterações neurológicas podem acontecer mesmo não havendo ainda anemia. Um alerta: só faça reposição de vitamina B12 sob a supervisão e orientação de um médico. SEU EXCESSO: ainda não foi citado na literatura médica.
ÁCIDO PANTOTÊNICO (COENZIMA A)
O seu nome vem do grego, em que Panthos significa de todos os lugares. Isso porque o ácido pantotênico é encontrado em toda a parte. A dose diária recomendada é de 10 micrograma. Atua no metabolismo da maioria das células, na produção de hidratos de carbono, proteínas e lipídios. Interfere na produção de energia dentro das células e na produção de hormônios. Suas principais fontes: carnes, ovos, frutas, cereais e verduras, sendo encontrada, praticamente, em todos os alimentos. SUA FALTA: são raras, mas podem ser produzidas experimentalmente com alimentos artificiais, pelo uso de alguns antibióticos. Nesses casos, surgem cansaço, distúrbios do equilíbrio e do sono, cãibras e distúrbios digestivos, como flatulência e cólicas abdominais. Pessoas com dietas normais não têm carência de ácido pantotênico. SEU EXCESSO: mais de 10 a 20 mg/dia pode provocar diarréia. Como acontece com as demais vitaminas hidrossolúveis, os excessos são eliminados pelos rins, na urina.
NIACINA E NIACINAMIDA (FATOR PP – PREVINE PELAGRA)
Também chamada de vitaminas da inteligência. Sua dose diária recomendada é de 15 mg, ela é encontrada nas carnes e cereais, como o milho. Elas influenciam na formação de colágeno e a pigmentação da pele provocada pela radiação ultravioleta. No cérebro, a niacina age na formação de substâncias mensageiras, como a adrenalina, influenciando a atividade nervosa. Principais fontes: carnes e cereais. SUA FALTA: a falta produz a doença dos 3 "D", composta por Diarréia, Demência e Dermatite. A língua pode apresentar cor avermelhada, ulcerações e edema. Pode haver salivação excessiva e aumento das glândulas salivares. Podem aparecer dermatites parecidas com queimaduras de pele, diarréia, esteatorréia, náuseas e vômitos. No sistema nervoso, aparecem manifestações como cefaleia, tonturas, insônia, depressão, perda de memória e, nos casos mais severos, alucinações, demência e alterações motoras e alterações neurológicas com períodos de ausência e sensações nervosas alteradas. SEU EXCESSO: a Niacina não costuma ser tóxica, mesmo em altas doses, mas pode provocar coceira, ondas de calor, hepatotoxicidade, distúrbios digestivos e ativação de úlceras pépticas.
ÁCIDO FÓLICO (FOLACINA, FOLATO E ÁCIDO PTEROILGLUTÂMICO)
Esta é a chamada vitamina da futura mamãe. Os termos Vitamina M e vitamina B9 são denominações fora de uso. A dose diária recomendada é de 0,2 mg para crianças e 0,4 mg para adultos. É imprescindível para mulheres antes da concepção e no primeiro mês da gravidez a fim de evitar doenças congênitas da criança, como anencefalia e espinha bífida. dieta habitual contém em torno de 0,2 mg de ácido fólico. O cozimento prolongado dos alimentos pode destruir até 90% do seu conteúdo em ácido fólico. Atua em conjunto com a vitamina B12 na transformação e síntese de proteínas. É necessária na formação dos glóbulos vermelhos, no crescimento dos tecidos e na formação do ácido desoxirribonucleico, que interfere na hereditariedade. O ácido fólico tem um papel na prevenção de doenças cardiovasculares. As principais fontes: são carnes, verduras escuras, cereais, feijões e batatas. SUA FALTA: sua carência provoca uma alta incidência de crianças com má formação congênita do sistema nervoso nascidas de mães que foram carentes em ácido fólico no início da gravidez. Também está aumentada a incidência de lábio leporino e fissura palatina nesta situação. A carência de ácido fólico, junto com a carência de vitamina B12, pode levar as pessoas a sentirem vertigens, cansaço, perda de memória, alucinações e fraqueza muscular. SEU EXCESSO: existem fortes evidências de que altas doses de ácido fólico reduzem o risco de doenças das coronárias e de câncer do intestino grosso. Mas essas evidências não são definitivas e não se sabe quais seriam as doses recomendadas.
CARNITINA (L-CARNITINA, VITAMINA B11)
O nome carnitina vem de carne (músculo). A L-Carnitina é importante para a oxidação de ácidos graxos, para o metabolismo dos açúcares e promove a eliminação de certos ácidos orgânicos. Atua no endotélio dos vasos, reduzindo os níveis de triglicerídeos e colesterol. Age levando as gorduras para dentro das células, produzindo energia, aumentando o consumo de gorduras e, dessa forma, tendo uma função protetora do fígado. Todas essas funções e qualidades da carnitina são discutíveis e postas em dúvida, principalmente, pelos vegetarianos. Doses diárias recomendadas é de 15 mg/dia, via oral, da levo-carnitina é bem tolerada pelo homem e não mostra nenhum efeito colateral apreciável. As principais fontes: carnes, peixes e laticínios. SUA FALTA: são raras e encontradas principalmente em desarranjos metabólicos hereditários. Cansaço, fraqueza muscular, confusão e manifestações cardíacas são os sintomas mais frequentes. Podem surgir lesões tubulares renais com insuficiência renal.
BIOTINA (VITAMINA B 8)
Da biotina existem três variantes que são a biocitina, a lisina e o dextro e levo sulfoxido de biocitina. São úteis para o crescimento de certos microorganismos e sua utilidade para o homem não é conhecida, pois sua principal função está ligada ao metabolismo de açúcares e gorduras. Doses diárias recomendadas: 100 a 200 microgramas. Principais fontes: carnes, gema de ovos, leite, peixes e nozes. A biotina é estável ao cozimento. SUA FALTA: são muito raras e praticamente só aparecem se houver destruição das bactérias intestinais, administração de antimetabólicos da biotina e alimentação com clara de ovo crua para que aconteça a carência de biotina. Nestes casos surgem glossite atrófica, dores musculares, falta de apetite, flacidez, dermatite e alterações do eletrocardiograma. As lesões da pele caraterizam-se por dermatite esfoliativa severa e queda de cabelos que são reversíveis com a administração de biotina. Crianças com seborreia infantil e pessoas com defeitos genéticos são tratados com doses de 5 a 10 mg/dia de biotina. SEU EXCESSO: grandes doses de biotina podem provocar diarreia.
COLINA (Trimetiletanolamina)
A Colina não é uma vitamina, mas foi tida como sendo um dos componentes do complexo B. Mobiliza as gorduras do fígado (ação lipotrópica) e é importante na formação do neurotransmissor acetilcolina além de agir com ativador de plaquetas (PAF). É ainda importante como componente de fosfolipídeos. A colina é fornecedora de radicais metila, essenciais para trocas metabólicas. Atua em combinação com a vitamina B12. Doses diárias recomendadas : 400 a 900 mg. Principais fontes: gema de ovos, fígado e amendoim. SUA FALTA: a falta provoca acúmulo de gorduras no fígado, cirrose, aumento na incidência de câncer de fígado, lesões hemorrágicas dos rins e falta de coordenação motora. SEU EXCESSO: manifestações de excesso não são descritas
BIOFLAVONÓIDES (VITAMINA P, RUTINA)
Nos vegetais existem substâncias denominadas flavonóides, anteriormente conhecidas com vitaminas P. Os flavonóides não são mais incluídos entre as vitaminas. Existem mais de 5000 substâncias identificadas e derivadas de plantas que são reconhecidas como flavonóides. Flavus, em latim, significa amarelo e, por terem uma cor amarelada quando isoladas, essas substâncias têm essa denominação. Nos vegetais seriam os responsáveis pela sua cor e teriam a função de proteger a planta da ação do oxigênio da atmosfera. Por analogia, espera-se uma ação semelhante no organismo humano, ao proteger as células do corpo humano, principalmente, as dos vasos, das agressões e degenerações decorrentes da ação dos radicais ácidos sobre os tecidos. Protegem o endotélio vascular das agressões dos radicais ácidos e também diminui a adesividade das plaquetas, diminuindo o risco da formação de trombos e consequente obstrução de artérias que poderiam resultar em infartos. Principais fontes: são os vegetais e, nestes, são encontrados, principalmente, nas cascas. Muito comentados são os bioflavonóides do chocolate, dos vinhos, dos sucos de uvas e de outros produtos derivados de plantas, mesmo os industrializados. As indústrias jogam pesado na difusão desses conceitos que salientam o valor dessas substâncias. Entretanto, do ponto de vista nutricional, as frutas contêm muito mais flavonóides do que os produtos industrializados. Já a produção do vinho, por ser uma fermentação anaeróbica conserva melhor os flavonóides. SUA FALTA: não são descritas, mas é admitido que a sua carência favorece o envelhecimento precoce, onde sua falta não oferece o fator protetor às alterações degenerativas vasculares. SEU EXCESSO: a administração exagerada de flavonóides está associada a uma maior incidência de leucemia nos recém-nascidos de mães que receberam doses grandes de flavonóides durante certos períodos da gestação. Em algumas pessoas, a ingestão de flavonóides desencadeia dor de cabeça, a conhecida enxaqueca de alguns consumidores de vinho. A dor de cabeça após ingestão exagerada, ou mesmo moderada, de vinho, geralmente é atribuída por alguns ao álcool, por outros aos vinhos de má-qualidade. Contudo, existem autores que afirmam serem os flavonóides os responsáveis por essa manifestação desagradável.