VIVER BEM: RECEITA PARA CHEGAR AOS 100 ANOS
VIVER BEM: RECEITA PARA CHEGAR AOS 100 ANOS

Por Consolação Resende
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Aos 100 anos de idade, o médico Alcindo Amado Henriques, ainda encontra disposição para fazer trabalho voluntariado.
Todas as quartas-feiras, sozinho, ele pega o ônibus em Belo Horizonte para, às 7 horas da manhã, iniciar visitas a pacientes com Hanseníase, na Colônia Santa Izabel, em Betim. Quem tem a oportunidade de conhecê-lo não acredita que ele seja um centenário. Esbelto, esquio, simpático, bom de papo, bonito e generoso, ele dá a receita para tanta disposição e longevidade: dormir bem e não ser ganancioso. “Já vi muitos amigos morrerem por excesso de ganância”, conta. Para as mulheres, ele manda um recado: “tem que ser vaidosa”. A alimentação é normal, sem nada de especial. E foi na hora do almoço, que este médico, cujo olhar revela o gosto pela vida, recebeu nossa reportagem na Casa do Médico, na Colônia Santa Izabel. Ao final da rápida conversa, ele tirou um bom do bolso do casaco e revelou sorridente: “adoro comer doces”, o que foi confirmado pelos amigos que o cercavam. A história dele é uma verdadeira lição de vida e de dedicação aos hansenianos.
INÍCIO
Em 1937, Alcindo Amado tornou-se médico pediatra e iniciou carreira atendendo em um consultório médico no bairro Floresta e na Associação dos Empregados do Comércio, ambos de Belo Horizonte, e no Lactário da cidade de Mário Campos.
Nesta época, a Hanseníase (conhecida pelo nome de Lepra) era uma doença desconhecida dele e da maioria das pessoas e estava carregada de preconceitos. A doença era tida como um verdadeiro “câncer social” e os leprosos eram isolados de suas famílias. Receiosos e também desinformados, os médicos não queriam trabalhar com estes doentes. Foi então, que, em 1950, Alcindo Amado cursou Leprologia para trabalhar nos dispensários itinerantes do Estado, após conselho do médico dr. José Mariano. Mesmo com um ganho de 40 por cento a mais nos vencimentos, dos seis médicos que fizeram o curso somente dois foram trabalhar com os pacientes da Hanseníase. Era o início de uma nova trajetória.
CONHECENDO A DOENÇA
Dr. Alcindo Amado iniciou seu trabalho como médico leprologista indo para o dispensário de Divinópolis. Ele revela que, neste inicio, tinha medo de contrair a doença. Mas, aos poucos foi conhecendo a doença e descobrindo, na prática, o que era a Lepra e o mais importante: seu contágio era direto e na intimidade.
Em 1956, o Governo Federal mudou a política de controle da doença iniciando a Campanha Nacional Contra a Lepra e o médico foi chamado para atender sete municípios. Durante 20 anos, ele trabalhou na Campanha até que ela foi extinta, conforme disseram a ele, “por falta de verba”.
Sua história, no entanto, ainda não havia chegado na Colônia Santa Izabel, o que aconteceu em 1963. “Vim como médico plantonista e minha função era atender aos doentes de Hanseníase e doenças decorrentes”. Dr. Alcindo explica que, o que acontecia com o doente de lepra era uma “amputação social”. “Ele era retirado do convívio familiar e vinha para os leprosários, distante da família e do convívio social”, conta. Para o médico, a abertura dos sanatórios de leprosos foi uma alegria muita grande, pois o convívio e apoio familiar é muito importante no tratamento de qualquer doença.
Na Colônia, Dr. Alcindo ficou até completar 70 anos de idade, como médico e na direção do Hospital. “Ao completar 70 anos fui exonerado sem nenhuma justificativa”. Em 2004, foi convidado pelo diretor da Colônia, Dr. José Trigueiro, para continuar seu trabalho, mas como voluntário. A partir daquele ano, o médico está todas as quartas-feiras na Colônia, onde visita seus pacientes de casa em casa.
SERVIÇO:
Hospital Colônia de Santa Izabel
Alcindo Amado Henriques
Médico pediatra e leprogista
Telefone: (31)35293300